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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Licença Poética

"Odeio branco, não agüento fundos brancos, nem paredes, nem roupas.
Também não agüento tempos sem vento.
Na verdade não conheço bem tempos sem ventos, mas às vezes vem uma calmaria branca aguda que me deixa desorientada.
Sonho sempre com tempos sem ventos, eu com um vestido branco, caminhando sem destino, sem tempo, sem contexto..."

http://ventosinternos.blogspot.com/

sábado, 10 de abril de 2010

Vai chegar

E logo em breve já sente,
Que o que ficou já valeu
Faz tempo que a gente trabalha
O quanto se pode resistir
E se a vida se atrapalha
Eis a hora de persistir
Que não há nada que falte ao que pode existir

Vai rodar o mundo, vai rodar o ciclo
Vão rolar as pedras, vai virar areia
Vai chegar no mar


A gente planta a roseira
No tempo do inverno chegar
E de tempestade passageira
É que a flor vai brotar
Elas chegam sorrateiras
Uma a uma a vingar
E eis que chega a primavera
E jardim pode se mostrar


Vai rodar o mundo, vai rodar o ciclo
Vão rolar as pedras, vai virar areia
Vai chegar no mar


O destino não vem
Como se poderia prever
Mas não há sonho que brilhe
que não se possa dividir
A gente segura a corrente
E junta a força que há
E se precisar a gente briga
Para o sonho vingar


Vai rodar o mundo, vai rodar o ciclo
Vão rolar as pedras, vai virar areia
E vai chegar no mar


Faz samba da ginga
Faz samba do amor
Faz samba da birra
Faz samba por favor
Faz samba e levanta
Pra gente dançar
Faz samba e se lembre
Que a primavera vai chegar

sexta-feira, 26 de março de 2010

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

(Chico Buarque)