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domingo, 30 de outubro de 2011

Segundo silêncio

Não, esse não é o primeiro, já é o segundo.
Que bom que consegui um momento de silêncio.
Por favor telefone não toque! Não por hora.
Esse silêncio é meu presente.

Daqui sinto e vejo a grande e estrondosa roda em movimento à triturar qualquer pequeno ciclo.
Na circunferência interna tudo é mais denso, rígido e permanente, pequena como sou.
Na amplitude externa, janelas para o horizonte do passado e do futuro mesclados. Alguns personagens, paisagens e muitas reticências...

Fico com meu tempo místico, que é o que me vale.

Na ponta, uma mulher espia sobre a colina
um homem questiona o mar
e a vida selvagem rasga em fendas o tempo.

(outubro de 2011)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

pedacinho de mim

Cada dia mais um pedacinho dela se vai
São lascas de matéria dura e concreta arrancados um a um
Me tiram calorzinhos e afagos únicos, lasquinhas preciosas de um amor que acredito que só entenda que também já os perdeu. Não há histórias, relatos, enfim, palavras que possam dar a dimensão do que a falta dela represente para mim, nem eu mesmo sei o que sou faltando-me minhas lascas.
E cada espaço de materia concreta, dura e quente que se tira, deixa um espaço livre, rarefeito, escuro e seco, aberto para ser preenchido por qualquer coisa de matéria nova, incipiente e frágil.
O tempo de que necessito para escolher a matéria nova a preencher o espaço vazio é maior do que a velocidade com que este espaço se preenche de coisa não escolhida, e ainda por cima não identificável.
Sim, a identificação também leva tempo...
Se pudesse pegava toda a matéria das lascas perdidas, juntava e ficava amassando tempos a fio até se tornar mole e moldável, aproveitando cada apertar dessa massa orgânica.
Queria poder fazer dela o que eu quisesse, moldar até o necessário, até endurecer, esfriar e se encaixar perfeitamente no espaço livre da minha falta.
Ah se a gente pudesse...

Os dias passam e nos sentimos aliviadas pela força que tornou possível superá-lo, e assim seguimos como quando esperamos pacientes por uma fase que sabemos que logo mais se finalizará, porem driblamos os dias fingindo não saber que o contexto é outro, não é uma fase e não vai nunca acabar.
A morte é mais eterna do que a vida.

(abril, 2011)

domingo, 20 de junho de 2010

Areia

areia pra deixar cair
no centro da ampulheta
eu vejo enquanto espero
aquilo que mais quero
o meu amor virá
madrugada lenta
as luzes piscam letras
na janela venta
enquanto o carro vai
areia pra passar
areia pra passar

areia como tempo
através do vidro
cai pelo orifício
revirando o ar
atravessando a praia
maior que um saara
até chegar no mar

A. Antunes